A haze

I have in me like a haze
Which holds and which is nothing
A nostalgia for nothing at all,
The desire for something vague.

I’m wrapped by it
As by a fog, and I see
The final star shining
Above the stub in my ashtray.

I smoked my life. How uncertain
All I saw or read! All
The world is a great open book
That smiles at me in an unknown tongue


Tenho em mim como uma bruma
Que nada é nem contém
A saudade de coisa nenhuma,
O desejo de qualquer bem.

Sou envolvido por ela
Como por um nevoeiro
E vejo luzir a última estrela
Por cima da ponta do meu cinzeiro

Fumei a vida. Que incerto
Tudo quanto vi ou li!
E todo o mundo é um grande livro aberto
Que em ignorada língua me sorri.

Monday poetry comes on Wednesday because Fernando Pessoa was born on this day in Lisbon 130 years ago. 

Translation: 1998, Richard Zenith

Photo: crossing back to Porto, May 2018

Early in the morning

Hoje de manhã saí muito cedo,

Hoje de manhã saí muito cedo,

Por ter acordado ainda mais cedo

E não ter nada que quisesse fazer…

 

Não sabia por caminho tomar

Mas o vento soprava forte, varria para um lado,

E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

 

Assim tem sido sempre a minha vida, e

Assim quero que possa ser sempre —

Vou onde o vento me leva e não me

Sinto pensar.

13-6-1930

“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

I went out very early in the morning today
Because I woke up even earlier
And there was nothing I wanted to do…

I didn’t know which road to take
But the wind rose strong, sweeping up from one side,
And I followed the road where the wind pushed at my back.

That’s how my life has always been, and
That’s how I’d like to be able to have it always be —
I go where the wind leads me
And don’t feel like thinking.

Translation here 

Photo: Afurada on a perfect Saturday morning